Eu não gosto de pepsi, nem de coca-cola. Não gosto de comida caipira e nem de sonho, aquele de comer. Eu não gosto de ter que esperar, nem na fila e nem alguma coisa acontecer. Eu não gosto de fazer escova no cabelo, apesar de gostar de mim de escova. Eu não gosto de salão, o de cabelos e o de festa. Mas eu gosto de uma festa. Eu gosto de festas de casamentos e de doces de casamentos. Eu não gosto de conversa de padre em casamento, mas eu faço novena toda terça. E adoro o padre das 10, indicado pela Tauana. Eu não gosto de dirigir, apesar de me sentir livre com a mão no volante. Uma no volante e a outra na marcha. Eu gosto de mudar a marcha, ainda que eu não seja boa nisso. Eu não gosto quando o carro pula e nem de fazer baliza. Mas eu gosto de vê-lo estacionado entre outros dois carros. Eu gosto de sair de carro, de sair de casa, de sair da cidade. De sair do país. Mas eu odeio andar de metrô. Eu gosto de voltar. Eu gosto de voltar pro país, pra cidade, pra casa, pra minha vida. Apesar de ter que passar por cima de alguns sonhos, os sem baunilha. Eu não gosto de direito, não gosto de lei e nem de prova de marcar. Eu sou muito prolixa. Eu não gosto de serviços domésticos. Eu não sei cozinhar, apesar de ter o dom. Juro! Eu não gosto de acordar cedo, não gosto de barulhos contínuos, não gosto da sensação do jornal na mão. Talvez por isso eu tenha ficado um tanto alienada. Eu não gosto de Chaves. Eu não ligo pro tamanho da lua, mas esses dias eu notei quão grande ela estava. Eu gosto de música que me faz chorar, que varie o tom de alto pra baixo e vice-versa, porque quando tá no alto, fica mais emocionante. Eu gosto de filme que me faça chorar. E eu sempre choro com filmes de amor. Eu gosto de chorar com filme de amor até soluçar, inchar a cara e doer a cabeça. O que eu mais chorei foi o diário de uma paixão. A música que eu mais chorei ouvindo foi Somewhere Over The Rainbow com o Israel Kamakawiwo'ole cantando, ou foi com Linger? Eu não lembro o dia que eu mais chorei.
E nem o que eu mais ri. Eu to sempre rindo, então é difícil dizer. Eu pareço a professora Máris, da 5a série, quando eu rio usando batom. Eu não gosto de batom, mas eu preciso usar, porque nasceu e cresceu uma pinta na boca. Eu gosto de pinta, mas na boca não precisava. Vou tirar. Por incrível que pareça, eu gosto mais do que não gosto e acho que isso é bom.


