Um milhão de pensamentos, dúvidas e sonhos. Eu também sou um poço de nostalgia. Eu lembro, por exemplo, que na 3a série eu dobrava a barra do short e fazia conspirações com as minhas amigas da 4a, achando os meninos ridículos. Menos aquele. (que era o mais ridículo, que me empurrou na escada, que eu chutei a canela com meus tamancos e que me deu um bis no fim do ano). Também lembro que eu costumava ir da minha casa até a escola, na 7a série, com a Tauana e a Mariana, cantando: "passei um tempo pensando, o tempo foi me mostrando, na verdade, eu adoooro você, o que me deu na cabeça, quando eu falei me esqueça, na verdade, eu queria dizeer.." e, claro, ela morria de vergonha e medo, porque ainda era bv. No fim da tarde a gente sempre comia um espetinho e tomava um guaraná. Na oitava eu jurava que eu era a Joey e ele o Dawson. Já no segundo ano eu gastava todos os exatos minutos do recreio desfilando em frente àquele olhar blasé. E rindo horrores, pra mostrar que além de enturmadinha eu era muito divertida. Se fazia efeito? Ah, claro, 5 cartinhas de amor fazem um super efeito. Contrário. Mas valeu a pena todas as gargalhadas, as voltinhas, as rodinhas com o zé, a ju, a mari e todo mundo mais, as danças com a almofada, os passeios na chuva, os filminhos de amor. Do terceiro, eu lembro de tantas descobertas. Sinto um aperto no coração de pensar em todas as turbulências, no sanduiche de sobremesa do almoço, nas aulas de tarde, no fato de não pensar em vestibular, mas em que roupa eu ia usar na Swing e como eu iria entrar. Um dos dias melhores foi a festa da Calango, escondida, tantas risadas, choros e velas. Um flagra, vinho e muitas amigas. Amigas pra sempre. Sinto saudades de ir pra faculdade e de ver a pochete e talvez um pedacinho das costas e outras vezes um pedacinho da barriga e uma vez receber um carinho no nariz. De matar aula e ir pra Católica, de ir pro Esquina Brasil, lembra? Me enche de lágrimas pensar que já tem tanto tempo. Engraçado pensar que naquele bairro tanta coisa aconteceu!
Me formiga a mão lembrar da minha calça jeans clara, regatinha branca e faixa azul escuro no cabelo. Onde foi parar essa faixa? Sinto falta do meu pai me levar e me buscar, assim como todas as minhas amigas. Que saudade de ir pra show de reggae, vestir pra show de reggae, ouvir reggae, passar frio em show de reggae, em Goiânia, Goiás ou Pirenópolis. Me traz um sorrisinho aos lábios pensar no pólo prata. E cantar songbird e passear e conversar e ver o tempo passar e ser a copilota da Maira. E falar francês. Dançar ao som de tiesto, gastar a tarde no Blue Tree. Ai que saudade das minhas sextas-feiras e do Flambascom minha mae. Queria voltar no tempo e reviver a minha festa. A nossa festa de casamento. Engraçado que já sinto saudade de comida indiana. Tenho saudades até do que eu sei que vou sentir falta. Não é isso, Angel? E eu sei que se eu piscar, eu perco Nova Yorque no mesmíssimo momento, e isso me mata. Eu tenho medo do tempo.



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