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Good times for a change,

Mas continua tudo igual.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal

Festa de cores






quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vontade.

Voar num balão e ver como as coisas são lá de cima. Sentir o vento batendo no rosto, tocar numa nuvem, flutuar no céu, ver tudo bem pequenininho, menos a imensidão azul à sua frente. Casinhas, pessoinhas, carrinhos, arvorezinhas, tudo de brinquedo, tudo de uma vez só. Ver as coisas de outro ângulo. Sentir a vida batendo dentro do corpo, tocar uma música suave, flutuar com um sonho, ver tudo tão nítido, menos o que a gente sabe que é nosso e ainda não é. Casa, pessoas, carro, jardim, tudo de verdade, tudo com calma.Ver o futuro chegando, sentir um frio na barriga, tocar o cabelo dele, flutuar com o cheiro suave que vem de lá, ver o que é possível e querer, até o que agora não dá. Mas um dia dá. Um dia vai que dá pra dar essa volta no balão e a cabeça esvaziar e ver o mundo acontecendo, pulsando, batendo e tudo parecendo tão simples e que vale a pena, vale a pena viver intenso, em cores, sorrindo.

domingo, 3 de agosto de 2008

Agora eu uso batom.

Eu não gosto de pepsi, nem de coca-cola. Não gosto de comida caipira e nem de sonho, aquele de comer. Eu não gosto de ter que esperar, nem na fila e nem alguma coisa acontecer. Eu não gosto de fazer escova no cabelo, apesar de gostar de mim de escova. Eu não gosto de salão, o de cabelos e o de festa. Mas eu gosto de uma festa. Eu gosto de festas de casamentos e de doces de casamentos. Eu não gosto de conversa de padre em casamento, mas eu faço novena toda terça. E adoro o padre das 10, indicado pela Tauana. Eu não gosto de dirigir, apesar de me sentir livre com a mão no volante. Uma no volante e a outra na marcha. Eu gosto de mudar a marcha, ainda que eu não seja boa nisso. Eu não gosto quando o carro pula e nem de fazer baliza. Mas eu gosto de vê-lo estacionado entre outros dois carros. Eu gosto de sair de carro, de sair de casa, de sair da cidade. De sair do país. Mas eu odeio andar de metrô. Eu gosto de voltar. Eu gosto de voltar pro país, pra cidade, pra casa, pra minha vida. Apesar de ter que passar por cima de alguns sonhos, os sem baunilha. Eu não gosto de direito, não gosto de lei e nem de prova de marcar. Eu sou muito prolixa. Eu não gosto de serviços domésticos. Eu não sei cozinhar, apesar de ter o dom. Juro! Eu não gosto de acordar cedo, não gosto de barulhos contínuos, não gosto da sensação do jornal na mão. Talvez por isso eu tenha ficado um tanto alienada. Eu não gosto de Chaves. Eu não ligo pro tamanho da lua, mas esses dias eu notei quão grande ela estava. Eu gosto de música que me faz chorar, que varie o tom de alto pra baixo e vice-versa, porque quando tá no alto, fica mais emocionante. Eu gosto de filme que me faça chorar. E eu sempre choro com filmes de amor. Eu gosto de chorar com filme de amor até soluçar, inchar a cara e doer a cabeça. O que eu mais chorei foi o diário de uma paixão. A música que eu mais chorei ouvindo foi Somewhere Over The Rainbow com o Israel Kamakawiwo'ole cantando, ou foi com Linger? Eu não lembro o dia que eu mais chorei.
E nem o que eu mais ri. Eu to sempre rindo, então é difícil dizer. Eu pareço a professora Máris, da 5a série, quando eu rio usando batom. Eu não gosto de batom, mas eu preciso usar, porque nasceu e cresceu uma pinta na boca. Eu gosto de pinta, mas na boca não precisava. Vou tirar. Por incrível que pareça, eu gosto mais do que não gosto e acho que isso é bom.

sábado, 26 de julho de 2008

O nosso mundo

O laranja no céu
A voz antiga no telefone
O vídeo em preto e branco
O rastro do perfume no cabelo
A unha em vermelho
O coração em azul
A velha música no rádio
O céu das cinco da manhã
A risada disparada
No fim, lágrimas
A blusa em listras
O filme de amor
O coração em azul
Aquele filme de amor
A voz grave
O mundo em verde
A foto desgastada
O tempo que passa
E o meu coração em azul
O buraco do sorriso
Principalmente no riso
As listras paralelas nunca se cruzam
Mas são iguais
A dor dos ais
A tristeza é noturna
A luz do céu não vem da lua

sábado, 26 de abril de 2008

A saia e a sacolinha

Eu não sou cleptomaníaca. Ufa. Depois de ver que o negocinho que apita (alguém por favor me empresta um dicionário português-português) ainda estava lá e a nota fiscal, que eu juro por todos os deuses, eu tinha jogado dentro da sacola, tinha sumido, a minha primeira reação foi conferir o débito do cartão. Considerando que eu já tinha desligado o bendito laptop e minha boca estava abrindo na mesma proporção em que meus olhos estavam fechando, o meu desespero em me realizar, aos recém-completados 23 anos, ladrinha de loja de departamento foi sincero e absoluto. Recapitulando. Comprei uma saia na minha loja predileta/acessível aqui de Nova Yorque, a tal da Forever 21, por exatos $ 10,50, porém, contudo, entretanto, todavia (o meu português tarda mas não falha, viu só), o mocinho do caixa não retirou a coisinha que apita e eu, atenta e cuidadosa como sou, não percebi o fato. Passei contente com a minha sacolinha cinza pela Levi’s, Armani Exchange e Bloomingdale’s, deixando sempre um sonoro apito de alarme no meu rastro ao sair das respectivas, e fui direto pra casa. Assim que cheguei, peguei a saia, me posicionei em frente ao espelho amigo e tirei a calça do pijama de vaquinha (as filas são imensas na Forever e eu nunca tenho paciência para experimentar antes de comprar, como vocês viram a saia não é nenhuma fortuna, então levei assim mesmo). Quando fui abrir a saia para vestir, me deparei com o trenzinho, o que apita e o que me fez apitar. Como eu tinha certeza de que tinha jogado a nota fiscal dentro da sacola, inclusive tenho a imagem guardada na memória, não fiquei muito preocupada. Até me deparar com a completa inexistência do papel dentro dela. OMG. OMFG. A cena voltou na minha cabeça como se estivesse voltando o filme da fita cassete, e, de repente, não mais que de repente, eu duvidei de mim mesma. Liguei o computador, acessei o site e vi que a página do banco me dizia: “hello, você acabou de gastar $ 10, 50, de forma que o seu saldo é de $ 3, 00!”. Conseguindo provar o fato (para a minha consciência) de que eu tinha a ficha limpa, lembrei que eu não poderia trocar a saia na loja e perguntei para o Rodrigo o que fazer. Ele, que adora um malfeito, chegou à conclusão de que sozinho conseguiria remover o bichinho que apita, e, eu, genialmente, concordei. Então, ele se posicionou em frente ao balcão da pia da “cozinha” e começou a bater o trequinho que apita, depois, jogou a saia no chão e pisou em cima dele, então tentou arrancar na base da faca, e, já quase o mordendo, viu que não adiantava mais, que ele não saía, mas, em compensação, soltava uma tal de tinta inteligente que manchava a saia, para sempre.

No outro dia, fomos ao Soho, e, em plena Broadway, entre Prince e Houston, entramos na Forever em busca do meu direito. O direito de vestir uma saia novinha, sem macha e sem apitar. Como era de se esperar, a luta não foi fácil e por uma questão de insistência e talvez sorte (pois o cara que atendeu foi o mesmo que deixou o tal do redondinho lá na saia) conseguimos levar uma nova saia mostarda pra casa. Mas o final não foi feliz, pois o zíper da nova saia estava estragado. E ainda está, porque sem a tal da notinha eu não posso trocar nada e as outras duas lojas recusaram a transação. Amanhã, dependendo do meu humor, volto lá no Soho e enfrento o gentil vendedor novamente. Ele vai vibrar ao me ver. E eu vou sorrir um sorriso gélido e espontâneo.

Porque não é gostoso esperar o N ou o W (linha amarela do metrô) pra ir para o Soho e entrar numa loja que não é nem lá a cara do Soho, pela terceira vez, sabendo que serei maltratada. Muito menos é justo ser maltratada sabendo que o erro não foi meu. Pior ainda é saber que apesar do erro não ser meu, eu desacreditei de mim, eu duvidei da minha sanidade, eu me pus à prova, para ser então absorvida pela página do banco, na internet. Esse país me deixou louca. Mas cleptomaníaca eu não sou, pode acreditar.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Tempo tempo, mano velho

Um milhão de pensamentos, dúvidas e sonhos. Eu também sou um poço de nostalgia. Eu lembro, por exemplo, que na 3a série eu dobrava a barra do short e fazia conspirações com as minhas amigas da 4a, achando os meninos ridículos. Menos aquele. (que era o mais ridículo, que me empurrou na escada, que eu chutei a canela com meus tamancos e que me deu um bis no fim do ano). Também lembro que eu costumava ir da minha casa até a escola, na 7a série, com a Tauana e a Mariana, cantando: "passei um tempo pensando, o tempo foi me mostrando, na verdade, eu adoooro você, o que me deu na cabeça, quando eu falei me esqueça, na verdade, eu queria dizeer.." e, claro, ela morria de vergonha e medo, porque ainda era bv. No fim da tarde a gente sempre comia um espetinho e tomava um guaraná. Na oitava eu jurava que eu era a Joey e ele o Dawson. Já no segundo ano eu gastava todos os exatos minutos do recreio desfilando em frente àquele olhar blasé. E rindo horrores, pra mostrar que além de enturmadinha eu era muito divertida. Se fazia efeito? Ah, claro, 5 cartinhas de amor fazem um super efeito. Contrário. Mas valeu a pena todas as gargalhadas, as voltinhas, as rodinhas com o zé, a ju, a mari e todo mundo mais, as danças com a almofada, os passeios na chuva, os filminhos de amor. Do terceiro, eu lembro de tantas descobertas. Sinto um aperto no coração de pensar em todas as turbulências, no sanduiche de sobremesa do almoço, nas aulas de tarde, no fato de não pensar em vestibular, mas em que roupa eu ia usar na Swing e como eu iria entrar. Um dos dias melhores foi a festa da Calango, escondida, tantas risadas, choros e velas. Um flagra, vinho e muitas amigas. Amigas pra sempre. Sinto saudades de ir pra faculdade e de ver a pochete e talvez um pedacinho das costas e outras vezes um pedacinho da barriga e uma vez receber um carinho no nariz. De matar aula e ir pra Católica, de ir pro Esquina Brasil, lembra? Me enche de lágrimas pensar que já tem tanto tempo. Engraçado pensar que naquele bairro tanta coisa aconteceu!

Me formiga a mão lembrar da minha calça jeans clara, regatinha branca e faixa azul escuro no cabelo. Onde foi parar essa faixa? Sinto falta do meu pai me levar e me buscar, assim como todas as minhas amigas. Que saudade de ir pra show de reggae, vestir pra show de reggae, ouvir reggae, passar frio em show de reggae, em Goiânia, Goiás ou Pirenópolis. Me traz um sorrisinho aos lábios pensar no pólo prata. E cantar songbird e passear e conversar e ver o tempo passar e ser a copilota da Maira. E falar francês. Dançar ao som de tiesto, gastar a tarde no Blue Tree. Ai que saudade das minhas sextas-feiras e do Flambascom minha mae. Queria voltar no tempo e reviver a minha festa. A nossa festa de casamento. Engraçado que já sinto saudade de comida indiana. Tenho saudades até do que eu sei que vou sentir falta. Não é isso, Angel? E eu sei que se eu piscar, eu perco Nova Yorque no mesmíssimo momento, e isso me mata. Eu tenho medo do tempo.

sábado, 12 de abril de 2008

E agora?

I've got life. Nobody's gonna take it away.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pier 17

Sinto com uma pontinha de ansiedade e um arroubo de medo o meu futuro chegando. Pela primeira vez o medo é maior e talvez a minha capacidade de relevar esteja meio debilitada, assim como a minha atual conexão com a internet. Deve ser a tal da marca do tempo e o tempo tem me ensinado muito mais, como a necessidade de esperá-lo passar pra ver as coisas acontecerem. O confortável á que eu nao estou sozinha, o barco tá cheio, de brasileiros, aliás. E a paisagem á bonita. Ou seja, eu vejo meu futuro chegando enquanto o tempo passa e eu pacientemente espero (com a melhor companhia brasileira) sentadinha no Pier 17.